Doença masculina: o Brasil do 17

This is the male desease. It’s called being full of shit.

The male disease includes the need to be in charge at all times. In charge, in control, in command. A real man sees himself as king of the hill, leader of the pack, captain of the ship. All the while, in order to fit in and belong, he has to act like all the other men and do the what they do so he’ll be accepted and get a good job and a promotion, and a raise, and a Porsche, and a wife. A wife who will inmediatelly trade in the Porsche on a nice sensible Dodge van with folding seats so the can be like all the other boring families.

The poor fuck. The poor stupid fuck.

His manlyness also requires that he refuse to go to a doctor or a hospital unless it can be demonstrated to him that he has in fact been clinicaly dead for six months. “No sense going to the hospital honny, I don’t seem to be in a coma”. Therefore he must learn to ignore pain. “It doesnt really hurt, bleeding from six hole in the head desn’t really hurt. Just give me the remote and get me a beer and get the fuck outta here!”

Most men leart this stupid shit from their fathers. Fathers teach their sons not to cry “Don’t let me hear you crying or I’ll come up ther and give you somthing to cry about”. Great stuff huh. All the problems in the world, repeat, all the problems in the world can be traced to what fathers do to their sons. So little boys learn to hide their feelings and society likes that because that way when they get to be 18 they will be able to go overseas and kill strangers without feeling anything. And of course that bargain includes a certain reluctant willingness to have their balls shot off. “Honey I have to go overseas and have my balls shot off or else the rest of the guys will think I’m too afraid to go overseas and have my balls shot off”

The poor fucks. The poor stupid fucks.

And so as a result of this repression of feelings the extent of the average man emotional expresions is the High Five or sometimes when really deep feelings emerge, both hands, the High Ten. This is raw emotion! And that’s about all they’re capable of, and they have dad to thank. Thanks dad.

But wait, don’t think dads can be fun at times too. After all, dads intruduce their sons to the Wonderful World of Men. The male subcultures, the really tough guy masculine He-Man stuff; No wimps, no pussies, no softies. There are five deadly male subcultures and they all overlap: The car an machinery culture, the police and military culture, the outdoors and gun culture, the sports and competition culture, and the drug and alcohol culture; and as a bonus I’m going to throw in one more, the Let’s go get some pussy and beat the shit outta queers culture. As I say they all overlap, many men belong to all six.

This male universe is of course detectable by analyzing its combustible chemical formula: gasoline, gunpowder, alcohol and adrenaline. A chemistry rendered even more lethal by that ever-present, ever delightful accelerant: testosterone. Talk about substance abuse? If it’s chemical dependency you’re interested in you might wanna look into testosterone.

TESTOSTERONE!

The most lethal substance on Earth and it does not come from a laboratory, it comes from the scrotum. A scrotum located interestingly enough not far from the asshole, how fitting? And as it happens all this male subcultures share a particular set of features: Homophobia coupled with an oddly ironic complete childlike trust in male authority; men are attracted to powerful man. They also share a strong fear and dislike of women and this in spite of a pathological obsesion with pussy.

TESTOSTERONE!

So why are men like this? I think the overriding problem for men is that in life’s main event, reproduction, they’re left out, women do all the work. What do men contribute? Generally they’re just looking for a quick parking space for some sperm. Couple of hits of hot jism and the volume of the TV goes back right up. It’s my belief that most of this flawed male chromosomes should not be allowed to go forward for one more unfurtunate generation but such as biology. And so, excluded as they are from reproduction men must find other ways to useful and worthwhile as a result they measure themselves by the size of ther guns, the size of their cars, the size of their dicks and the size of their wallets; all contests that no man can win consistently.

And let me tell you why all of this happen. Because women are the source of all human life. The first human being came from the belly of a female and all human fetuses begin as females. The brain itself is female until hormones act on it to make it structurally male, so in reality all men are modified females. Where do you think those nipples came from guys? You are an afterthought. Maybe that’s what’s bothering you. Is that what’s on your mind bunky? That would explain the hostility. Women got the good job, men got the shitty one. Females create life, males end it: War, crime, violence are primarily male franchises, man shit it’s nature supreme joke.

Deep in the womb men start out as the good thing and wind up as the crappy thing. Not all men, just enough, just enough to fuck things up. And the dumbest part of it all is that not only do man accept all this shit, half of it they do it themselves.

Baratas (quase de graça)

A barata amanhece de barriga para cima. Deve ter ficado a noite toda tentando entender por que diabos estava naquela posição e não conseguia juntar a com b. Ao mesmo tempo, algo saía do corpo dela; algumas patas, ou pernas. Percebendo a decomposição antecipada, um pequeno destacamento de formigas se aproximaram e começaram o serviço. Era preciso aproveitar o que fosse possível, afinal, algum hormônio ou sinalização animal as tinham comunicado que ali havia algo a se aproveitar. Um ser humano coloca a barata novamente em posição. Essa tenta se articular e dar umas cambaleadas para qualquer direção. Calhou de entrar embaixo da geladeira. Ok, pensou o humano. Uma noite ruim; provavelmente, acabou se entupido de veneno para barata. Tais venenos impedem a destruição dos neurotransmissores na fenda sináptica. Ao se acumularem, provocam uma espécie de curto-circuito. Mas claro que a barata não sabia disso. E o humano, embora até pudesse saber, não fez muita questão. Afinal, um humano tem sempre prioridade no universo, seja ele um bosta ou um anjo disfarçado. As horas passam. Ao voltar à cena, o humano nota que a barata está, novamente, de barriga para cima. E, novamente, outro pelotão de formigas já estava em formação. Na natureza, não se perde tempo. Vem o estímulo, segue a resposta. Vida segue. Nada pessoal, nada intencional, no sentido do humano, mas é assim. Estímulo, resposta; levar alimento para o formigueiro, procriar, proteger o ninho, sair novamente na ronda da batalha diária pelos cômodos de apartamento em andares altos. Finalmente, o humano percebe melhor a situação. Pensa: posso atenuar o sofrimento sem sentido da barata. Qual o impacto de ‘encurtar’ a vida de uma barata que, à luz do humano em geral, não tem qualquer valor, exceto o de n em N? Mais um número sem sentido no meio de uma população virtualmente infinita e igualmente sem sentido (para o humano). E pisa sobre a barata. Ali acaba um sofrimento sem sentido. Exceto o de que, por alguma força evolutiva, baratas surgiram e permaneceram; sobem em prédios; andam aqui e ali, elas também, em resposta a algum estímulo-resposta. Há uma lógica natural, claro. Sempre há. Mas o humano também evoluiu e, dentre as coisas que tal evolução trouxe, foi a compreensão do modo como o sistema nervoso funciona. E de alguns elementos químicos, enzimas e tal. E, no centro de seu desejo soberano, acha por bem, com base em qualquer lógica que até uma criança fora da escola saberia explicar: “Baratas não servem e devem sumir”, exterminar tais insetos (que ele, aliás, classificou assim, como “insetos” –sabem de tudo, esses humanos). Ademais, é nojento ter baratas por perto. Madames ou nem tanto não gostam. E, se um humano, no destacamento de humanos, achar ‘normal’ ter uma barata-pet (como se fosse disso que se tratasse, afinal!), ele é que não será visto assim por seus outros pares humanos. A loucura e a burrice são inventadas à luz do dia por uns espertinhos ou por uma multidão burra e cega. É muito fácil matar, acabar, exterminar. É muito fácil o humano se achar a coisa mais preciosa. Ele cria a lógica de tudo, a normalidade de tudo. Porque o humano é tal que nada pode se colocar em seu caminho. Repleto de dívidas, ambição, normalidade, ideias marxistas ou da auto-ajuda mais filha da puta, moralidade kantiana ou libido de cafetão, esse humano vive e tece seu cotidiano como se ele fosse a grande força deste planeta. Ele tem propósito, escreve livros, inventa teorias. Ele não pensa sobre matar baratas. Só os humanos degenerados, vagabundos ou algum folgado pago com dinheiro fácil pensa nesse tipo de coisa. Com tanta ambição, filhos para criar, apartamentos para quitar, merdas mentais para resolver, ele não pensa em nada, só em números, na desgraça que é sua vida, na desgraça que é a vida dos outros, na desgraça que é ser pobre e ferrado, ou explorado. Ou no próximo lance que precisa dar para enganar alguns otários, encher a bunda de dinheiro, comer porcaria cara ou se sentir um quadrado redondo. A merda do ser humano é tão grande que ele não pode, não, jamais, perceber que ele também é uma barata, que por vezes está com a barriga para o ar se agitando sem conseguir entender nada; por vezes está se enfiando em brechas e buracos para abocanhar alguma migalha; por vezes sendo devorada por formigas.

No caos, o que nos resta?

Ouvir uma boa música, esquecer por uns instantes, e ver no que vai dar. A música, dentre os instrumentos culturais, seja ela qual for, indica imediatamente as vibrações que nos conectam com…a alegria de estar vivo.

Meu livro do ano

Que passou. Mas talvez seja deste também, vamos ver. O autor de verdade não é o que aparece na capa. Parece que é uma mulher, formada em biologia, mas que criou o canal no Youtube que cito bastante, recentemente. Havia achado inicialmente que era um caderno de reflexões de alguém da geração “millennial”, o que me fez pensar sobre o que seria uma versão atual do clássico A morre de Ivan Illich. De qualquer modo, prova-se que, para captar um espirito de época (ou do que é ser humano em certos contextos), não é preciso ser jovem ou velho.

Don’t try


if it doesn’t come bursting out of you
in spite of everything,
don’t do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don’t do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don’t do it.
if you’re doing it for money or
fame,
don’t do it.
if you’re doing it because you want
women in your bed,
don’t do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don’t do it.
if it’s hard work just thinking about doing it,
don’t do it.
if you’re trying to write like somebody
else,
forget about it.
if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you’re not ready.

don’t be like so many writers,
don’t be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don’t be dull and boring and
pretentious, don’t be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don’t add to that.
don’t do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don’t do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don’t do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.

O poema acima se chama So You Want To Be A Writer. O autor, Charles Bukowski. Ele escolheu Don’t try para sua lápide. O que ele quis dizer? O poema acima oferece uma pista; e, claro, não se refere apenas a quem quer ser escritor, obviamente. Refere-se ao que queremos para a nossa vida.

Aqui vai uma brilhante interpretação do Don’t try.

https://youtu.be/eMTDAHK-tkE

Meu vídeo top of the year

Liberdade

Uma pessoa pode ter motivação, mas não ter um objetivo a alcançar? Conversando com algumas pessoas, não raro me pego pensando que elas não conseguiriam viver sem um objetivo, mesmo que tal objetivo seja uma tarefa, uma meta de curtíssimo prazo. Se for aquele tipo de pessoa irriquieta, então esta pode contentar-se com “um dia a cada vez”, mas desde que, nesse tal dia, haja algo a realizar, a alcançar. Há, inclusive, aqueles mais sistemáticos que chegam a anotar em agendas e cadernos suas ‘metas’ diárias.

Uma pessoa que não tem objetivo pode experienciar depressão? Bom, pode ser estereótipo, mas deve ter muita gente de ‘papo para o ar’ por aí que não deve ter nenhum problema em ficar na brisa das circunstâncias, especialmente se puder contar com o trabalho de outros. Mas uma pessoa que, como muitas, nasceram e foram educadas em uma cultura orientada por objetivos, sim, provavelmente ela vai se deprimir, e nisto temos a faceta bastante moderna dessa patologia. Nesta faceta, a depressão é uma doença do vazio, da incapacidade ou da impossibilidade psíquica de fluir a vida sem um objetivo. Sem este, a pessoa pode se sentir inútil, imprestável, à deriva. É claro que uma pessoa com muitos objetivos também pode se deprimir, mas aqui se trata de outra faceta da depressão, aquela estudada por filósofos pop como o autor de A sociedade do cansaço (Byung-Chul Han). Sociólogos muito mais sérios já haviam percebido isso faz tempo (por exemplo, Alain Ehrenberg). Aqui, depressão é um tipo de burn-out, um consumo radical da energia vital, e, psicanaliticamente poderíamos acrescentar, uma espécie de válvula de segurança para que o sujeito simplesmente não se dissolva no atendimento do gozo do outro (sobretudo se esse outro for um chefe, uma empresa, um pai ou mãe implacáveis, etc.).

Então, o que nos resta? De um lado, o deprimido sem objetivo; de outro, o deprimido por sobrecarga e estiolamento psíquico. Como separar o joio do trigo? Porque veja, uma pessoa ‘sem objetivo’ e, como tal, simplesmente à deriva, ela está mais longe ou mais perto de seu plano geral no cosmos, por assim dizer (metaforicamente)? Considere ainda o seguinte. Quem disse que perseguir um objetivo é algo, necessária e intrinsecamente, bom? Vamos considerar uma coisa bem simples. Você precisa trabalhar. No trabalho, você traça objetivos em relação à sua carreira (sua experiência com o trabalho no tempo, independente de onde esteja trabalhando no momento), e traça objetivos em relação às tarefas concretas a serem realizadas. Ou segue objetivos traçados por outros, tanto faz para nosso propósito aqui. Então, você recebe seu salário. Aí você compra um carro. Estabelece uma casa, tem uma família. Aí os objetivos começam a se sobrepor e a acumular. Quando você tem um filho, por exemplo, você não conseguirá jamais escapar da força de ter de fazer coisas para ele, sendo que tais coisas sempre serão percebidas por você como a coisa mais sublime e justificada (no amor, na criação, etc.) para enlaçar seus atos, seu tempo, seu trabalho, seu suor, tudo. Sua vida passa a orbitar ao redor do outro que, detalhe, você gerou (pois é mais difícil o mesmo nível de apego quando não se tem o próprio filho; desconheço razões etológicas para isso – podem haver). Sua vida sai de você, e você entende esse gesto como um doar-se, como uma abnegação para que um outro se desenvolva; se você for religioso (mesmo que não pratique religião), então, aí a narrativa estará totalmente armada. Sua vida tem seu eixo fora dela; e, na sua cabeça, isso tem de ser assim mesmo, você sente na carne isso, como não poderia ser? Inclusive, o nível das emoções é tão evidente que todo o conhecimento gerado por esta pessoa sobre sua circunstância e sobre seu estar no mundo (no Cosmos) fica obliterado, ou confundido, embaralhado. E 80 anos passam muito, mas muito, rápido; quando se vê, a vida estará no fim, e a sensação de vida justificada daí se seguirá.

Assim, a certo ponto, ao se deixar levar na ciranda da vida cotidiana, orientada por objetivos, metas, expectativas, foco, coisas importantes, etc., você acaba se enebriando num tipo de pensamento imaginário que se alimenta a si mesmo, e, ao mesmo tempo, suas emoções começam a ser reguladas por esse mesmo imaginário. Ah, vão nos dizer os realistas, esse seu papo aí é coisa de gente que pensa demais; seja uma pessoa prática, pare de questionar, o mundo precisa de gente que arregace as mangas e construa um futuro melhor, etc. É muito difícil, talvez até impossível, ‘discutir’ com quem ‘sente’ as coisas como ‘certas’. Você mesmo pode achar que você está certo; seu pensamento pode estar tão orientado pela imaginação que você não consegue, cognitivamente, abrir algumas portas e considerar outras janelas. Mas o que haveria para além da imaginação?

As causas reais das coisas. Talvez você possa me dizer que isso não existe, afinal, vivemos num “mundo relativista”. Mas existe, sim, um plano além do da imaginação, mas para chegar até ele é preciso usar a razão, a capacidade natural de nossa mente, em seu estado natural, em sua potência natural.

Ao tentar avançar um pouquinho para fora da imaginação, e de suas emoções ou afetos correspondentes (reativos, na maior parte), algo mais ou menos assim ocorre: é como se você estivesse acostumado com as luzes da cidade, à noite; então, quando dirige para o campo, quando as luzes artificiais rareiam, então você se dá conta de que, nossa!, há um céu, há estrelas, e há um infinito em todos os cantos. Este é só um exemplo. Não falo aqui de contemplar a ‘natureza’ (coisa que, em geral, quem diz é quem é rato de cidade), falo em descentralização radical, perspectiva, apercepção de que estamos na Natureza (novamente, não confundir com passarinhos, lagos e lagoas!). Quer outro exemplo similar: você percebe que tem um corpo? Parece boba a pergunta, mas não reaja assim logo de cara. Muitos de nós sequer nos apercebemos como sendo um corpo, na verdade, e que esse corpo é um corpo que faz parte da Natureza – mas ele também, ou sobretudo ele!, foi enredado pelo conhecimento atrelado à imaginação…

É impressionante como o nossa imaginação, turbinada pela sociedade do espetáculo e das telas, nos lança tanta luz (literalmente, no caso das telas), que X passa a produzir X, ou seja, um pensamento leva a outro pensamento, que se “reforça” de modo fictício em outdoors, na boca de outras pessoas (artistas, intelectuais, pastores, padres…), gerando a sensação de realidade. O mesmo pode ocorrer com nossos objetivos: eles podem ser parte de uma trama fictícia – não necessariamente má, em si. Neste momento, por exemplo, há pessoas quebrando a cabeça, verdadeiros “heróis” tentando achar a vacina para o COVID19, para que todos possam retomar suas vidas, uns mais, outros menos. Mas veja que interessante: foram nós, humanos, que, em primeiro lugar, provocamos a própria doença, no sentido de que princípios ecológicos foram corrompidos, permitindo o salto e a circulação humana do vírus. Sempre foi assim: a civilização cresce, interfere na ecologia, provoca uma catástrofe, aí cria seus próprios mecanismos, sofisticadíssimos, diga-se de passagem, para combater algo que ela própria criou. E já pensou na motivação desses cientistas? Se for um norte-americano, então, ele estará simplesmente fascinado e miticamente jubilante por estar “fazendo história”, por estar num dos “maiores países do mundo”, etc., etc., etc. Os EUA são, aliás, a terra da motivação, da orientação por objetivos, do pensamento pragmático, da tecnologia, do dinheiro, da sofisticação inacreditável da espécie humana moderna. Quer dizer, há muita narrativa, muita lenha para a imaginação ali (e, pela via das redes e telas, para todo o resto do mundo…é surreal como todo lugar do mundo discute as eleições americanas e as coisas deles, etc.).

A resposta para a questão acima, sobre se é possível ter motivação sem objetivo, penso eu, tem a ver com nossa concepção de liberdade. É livre quem cresce ouvindo que precisa ser alguém, alcançar objetivos, se tornar um doutor, um empreendedor, etc.? É livre quem, como diria Dejours, “tem motivação”, em vez de desejo? A liberdade humana depende de entendermos as causas, e em nos tornarmos causas de nossas próprias vidas. Tornar-se causa de sua própria vida é descobrir a verdade sobre você, sobre onde você está, sobre quem você é, e sobre os outros. A liberdade consiste em reencontrarmos com nossa própria natureza, que não necessariamente vibra na mesma sintonia que a de outras pessoas. Mas aí finalizo com o seguinte: criamos nossos aparatos imaginativos para justamente evitarmos de nos confrontar com nós mesmos. É um mal necessário, alguém poderia dizer.

Post escrito inspirado em Espinosa.

Você nunca fará algo notável + Você não existe

Incríveis!