Wasteland universitário

Luiz Felipe Pondé acaba de lançar seu novo livro, Contra um mundo melhor. O livro, escrito na forma de aforismos, pode incomodar muita gente. A mim, pelo menos, chamou a atenção o pequeno capítulo em que Pondé desabafa sobre a universidade. Transcrevo um pequeno trecho:

Com a entrada das working classes na universidade, com o tempo concreto nela tomado por cálculos de sobrevivência e de carreira, não há muita matéria social sobre a qual erguer o conhecimento desinteressado.

[…]

Não esperemos muito das universidades, porque elas servem apenas para si mesmas e a suas carreiras. Verdadeiro wasteland onde habitam homens e mulheres que se deliciam com o cadáver do espírito. Riem debochados do poder tomado. Fazem das ciências suas criadas, ocupados em garantir seus pequenos apartamentos de classe média. Deliciam-se em suas reuniões intermináveis discutindo a produção da produtividade na mesmice burocrática. Ainda bem, porque do contrário nada teriam a fazer, porque no fundo não têm talento algum.

O final me deixou pensativo: “porque no fundo não têm talento algum”. Quer dizer, o trabalho na universidade se consome em torno do tempo gasto com coisas sem significância porque seus membros, eles próprios, também o seriam. Dura visão da universidade, seus profissionais e das pessoas sérias que tentam, ali naquele espaço, ensaiar criatividade e “relevância social”.