O choro do capitão Phillips

CapitaoPhillips2Para você que assistiu ao filme Capitão Phillips (com Tom Hanks), eu lhe pergunto: você conseguiu entender o porquê de seu choro ao final, por que o capitão chorou? Na minha opinião, o ponto alto do filme se observa nesse exato momento, quando ele, indagado pela médica-robô, diz que o sangue que estava sobre ele não era… dele.

Um contraste imenso emerge do filme. De um lado, a marinha dos EUA, altamente equipada, técnica, estritamente baseada em indicadores racionais para a execução de suas ações. De outro, quatro somalis completamente sozinhos, no meio do oceano, com um refém, pretensamente indo à Somália para negociar e ganhar muito dinheiro com o sequestro do capitão Phillips.

O contraste radical, a todo tempo, era entre a pobreza e o desamparo, a pura e simples insignificância, e o poderio e o suporte e a segurança oferecidos pelos EUA ao cidadão capitão Phillips, ali representando, me pergunto, o que? Representando a empresa para a qual trabalhava, representando um Estado organizado, que leva e traz mercadorias sobre o oceano, e que defende, acima de qualquer coisa, a propriedade e a soberania nacional (no caso, dos EUA). O cap. Phillips entende, e daí seu choro, que, apesar de toda a assistência que recebia, havia um profundo vazio no ar.

Belíssimo filme.