Máquina de moer carne

Como enganar um aluno que quer ser enganado? É fácil. Basta ir dando nota para ele, sem que ele produza o que deveria produzir. Um dia ele recebe uma nota porque é “esforçado”. Outro dia ele recebe uma nota porque “fez todos os trabalhos”. Recebe nota, também, porque é “boa praça”. Tem nota porque “é bolsista” e, se assim acontece, algum outro professor é responsável por ele. Ah, sim, merece uma nota que é acima da média, afinal, cinco é muito baixo. Mas, concretamente, pelo mérito intelectual de ter mostrado que saiu de um comportamento errado para um comportamento correto, segundo uma expectativa objetivamente estipulada, isso não – por essa razão específica, nunca teve nota. E eis que, ao final do curso de graduação, faz-se com ele o que já se vinha fazendo desde os primeiros anos escolares: dá-se um empurrão. Cria-se um ingênuo que se imagina competente. Afinal, sempre passou com alguma nota razoável e, ao fim e ao cabo, se formou numa universidade pública, mesmo não sendo um aluno rico. Viva! Eis aí o monstro.

Esse monstro não sabe que não é capaz. Pois, de certo modo, ele não sabe o que é saber e não saber algo. Mas ele também não sabe que o nosso sistema educacional já conseguiu formar algum doutor descuidado, que vai acabar recebendo-o em algum mestrado. Por fim, do mesmo modo que foi empurrado na graduação, chega para a defesa do doutorado, com mão de gato no trabalho, aqui e ali, mas chega. E eis que é doutor. Um concurso feito pelo próprio orientador ou por um amigo deste e … pimba! Lá está o monstro criado pela máquina de degeneração cerebral agora transformado na carne de segunda chamada, atualmente, de professor universitário.

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